Arteterapia Mitologia feminina Técnicas simbólicas Feminino sagrado Cura emocional Expressão simbólica Autocuidado criativo

Tecer é um gesto antigo. Antes da escrita, antes da pintura, as mãos já entrelaçavam fibras vegetais, cabelos, peles. No feminino ancestral, tecer era sustento, era proteção e também era rito. Em diversas culturas, a tecelagem é símbolo de criação do mundo, destino e conexão com os ciclos da vida.
Na arteterapia junguiana, recuperar o gesto de tecer é recuperar também o contato com um tempo interno, intuitivo e curativo. Tecelagem não é apenas técnica ? é metáfora. É uma via de expressão simbólica que resgata o feminino profundo nas mulheres que acompanho.
Na mitologia grega, as Moiras são três deusas que controlam o destino dos seres humanos:
Ao resgatar esse mito em sessões de arteterapia, o gesto de tecer ou entrelaçar fios pode ajudar a cliente a tomar consciência de onde está no seu fio da vida, o que está criando, repetindo ou precisando cortar. É uma linguagem visual e corporal que convida à introspecção.
No mito de Aracne, uma jovem mortal se gaba de tecer melhor que a deusa Atena, protetora das artes e da sabedoria. As duas competem em um duelo de tecelagem: Atena representa a harmonia e a mitologia dos deuses; Aracne, as injustiças divinas. Quando Aracne vence, Atena, tomada pela raiva, a transforma em aranha ? condenando-a a tecer para sempre.
Este mito toca uma ferida arquetípica: o conflito entre a criatividade espontânea e a autoridade patriarcal interiorizada. Quantas mulheres, hoje, têm medo de criar por si mesmas? De desafiar o que é "esperado"?
Na arteterapia, a tecelagem livre ? como o crochê intuitivo, sem seguir receitas ? pode ser um gesto de reparação simbólica desse mito. Um reencontro com a liberdade criadora.
Durante os vinte anos em que Ulisses luta e vagueia pela guerra de Troia, Penélope, sua esposa, tece e destece um manto como forma de resistência: promete que escolherá um novo marido apenas quando o manto estiver pronto.
Esse ato aparentemente passivo é, na verdade, profundamente ativo e político. Penélope usa a tecelagem como estratagema, como modo de sobrevivência e preservação de sua identidade.
Na arteterapia com mulheres, especialmente aquelas que vivem longos processos de espera ? por justiça, por autocuidado, por voz própria ?, a tecelagem pode ser símbolo de preservação da alma e da subjetividade. Tecer é manter-se viva no tempo da espera.
Na clínica com arteterapia junguiana, o uso da tecelagem se torna simbólico quando:
No meu método MAP ? Movimento, Arte e Palavra, a tecelagem pode surgir como forma de conclusão simbólica de um ciclo, expressão corporal do tempo interno ou como exercício de presença. Quando o gesto é consciente, ele se torna revelador.
Retomar a tecelagem na arteterapia é mais do que trazer um fazer manual à sessão. É um ato simbólico de reconexão com a fonte criadora do feminino ? aquele feminino que cria, destrói e transforma, como as Moiras; que desafia, como Aracne; que resiste, como Penélope.
Convido você, arteterapeuta, a refletir:
Tecer, na arteterapia, é reivindicar o tempo da alma.
? CROCHÊ COMO LINGUAGEM SIMBÓLICA NA ARTETERAPIA: Tecendo Histórias com a Alma
Com exemplos, mitos e reflexões clínicas sobre o uso do crochê no processo terapêutico.
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